O Irã reagiu nesta terça-feira, 7, às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmando que não ficará ‘de braços cruzados’ diante de um possível ataque americano. A declaração foi feita poucas horas antes do prazo estabelecido por Washington para que Teerã reabra o Estreito de Ormuz, sob risco de uma ofensiva contra infraestruturas estratégicas do país.
Durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, o embaixador iraniano Amir-Saeid Iravani classificou as falas de Trump como ‘incitação a crimes de guerra e potencialmente genocídio’. Ele afirmou que o Irã responderá de forma imediata caso as declarações se convertam em ação militar. ‘O Irã não ficará de braços cruzados diante de crimes tão graves. Exercerá, sem hesitação, seu direito de autodefesa e tomará medidas recíprocas imediatas e proporcionais’, declarou.
As declarações do Irã são uma resposta direta às afirmações de Trump, que publicou na rede Truth Social que ‘uma civilização inteira morrerá esta noite’ caso o Irã não cumpra as exigências impostas por Washington. Trump também sugeriu que o país poderia ser ‘eliminado em uma única noite’, embora tenha afirmado que não deseja esse desfecho, indicando que ele é ‘provável’. O presidente americano ainda mencionou a possibilidade de mudanças políticas em Teerã, sugerindo que uma nova liderança poderia abrir caminho para um cenário ‘revolucionário e maravilhoso’.
O ultimato de Trump gira em torno da reabertura do Estreito de Ormuz, uma rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás consumidos no mundo. No fim de semana, Trump deu 48 horas para que o Irã recuasse do bloqueio, prazo que se encerra nesta terça-feira às 21h, no horário de Brasília.
Antes do fim do prazo, ataques já atingiram alvos no território iraniano, incluindo pontes e estruturas ligadas à malha ferroviária, além de bombardeios a instalações militares, como na Ilha de Kharg, considerada um ponto-chave para a produção de petróleo do país. Não está claro se essas ações fazem parte de uma ofensiva mais ampla prometida por Washington.
No Irã, autoridades convocaram a população a formar correntes humanas ao redor de usinas de energia e outras infraestruturas consideradas estratégicas, vistas como alvos potenciais em caso de ataque. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que milhões de cidadãos estão dispostos a defender o país. Segundo ele, mais de 14 milhões de iranianos responderam a campanhas da mídia estatal e a mensagens convocando voluntários para o conflito.
Em meio à escalada, propostas de cessar-fogo intermediadas por países como Paquistão, Egito e Turquia foram discutidas, mas ainda não houve consenso. O Irã sinaliza que prefere negociar o fim definitivo do conflito, e não uma trégua temporária.

