Dez jornalistas de países como Irã, China, Hong Kong, Vietnã, Etiópia e outros figuram na lista anual dos casos mais urgentes de ameaça à liberdade de imprensa em 2026, segundo a One Free Press Coalition. Os profissionais enfrentam acusações como terrorismo, propaganda anti-Estado e colaboração com governos estrangeiros, em um cenário de repressão crescente.
A divulgação da lista coincide com o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, celebrado em 3 de maio, e reúne esforços de entidades como o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), a International Women’s Media Foundation (IWMF) e a Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Segundo o CPJ, 61% dos jornalistas presos no mundo respondem por acusações de crimes contra o Estado, incluindo terrorismo e colaboração com governos estrangeiros. Atualmente, 330 profissionais estão encarcerados devido ao seu trabalho.
Entre os casos destacados está o do iraniano-americano Reza Valizadeh, condenado a dez anos de prisão no Irã por suposta colaboração com os Estados Unidos, após retornar ao país para cuidar dos pais. Em Hong Kong, Jimmy Lai, de 78 anos, recebeu sentença de 20 anos por conspiração com forças estrangeiras e publicação de material sedicioso. No Vietnã, Pham Doan Trang cumpre nove anos de prisão por propaganda anti-Estado, enfrentando graves problemas de saúde e restrição a tratamento médico.
O relatório também menciona Zhang Zhan, presa na China por reportagens durante a pandemia de COVID-19 e novamente detida em 2024, além de Ulfatkhonim Mamadshoeva, sentenciada a 20 anos no Tajiquistão por múltiplos crimes, incluindo terrorismo. Outros nomes incluem Tsi Conrad, aguardando julgamento no Camarões, Frenchie Mae Cumpio, nas Filipinas, condenada por financiamento ao terrorismo, Sevinj Vagifgizi, no Azerbaijão, acusada de crimes financeiros, Genet Asmamaw, na Etiópia, que pode enfrentar pena de morte, e Christophe Gleizes, na Argélia, condenado por glorificação do terrorismo.
As organizações envolvidas denunciam não apenas as acusações, mas também as condições de detenção, como transferências punitivas, negação de assistência médica e julgamentos a portas fechadas. O caso de Zhang Zhan, por exemplo, inclui relatos de hospitalização e alimentação forçada devido a greves de fome. A coalizão internacional pede a libertação imediata dos jornalistas e alerta para o impacto dessas prisões na liberdade de imprensa global.
O relatório ressalta que a repressão a jornalistas sob acusações de terrorismo e crimes contra o Estado representa uma ameaça direta ao direito à informação e ao exercício do jornalismo independente em diversos contextos políticos.


