Mulheres negras da Região Metropolitana de Goiânia transformam retalhos em produtos de moda circular, gerando renda e promovendo sustentabilidade. Elas enfrentam desafios como baixa formalização e acesso limitado a mercados maiores.
A moda circular, que busca prolongar a vida útil das roupas por meio da reutilização e reciclagem, ganha protagonismo com mulheres negras empreendedoras em Goiás. Elas transformam retalhos em acessórios e peças que valorizam a cultura afro e geram renda para suas famílias.
Segundo Ana Fernanda Souza, coordenadora de diversidade do Comitê Racial do Fashion Revolution Brasil, a moda circular começa no design, com a escolha de matérias-primas recicláveis e peças que possam ser consertadas para evitar o descarte precoce. Essa abordagem contrasta com o fast fashion, que gera altos impactos ambientais, como o consumo excessivo de água e emissões de gases do efeito estufa.
De acordo com o Sebrae-GO, as mulheres negras correspondem a 53% das empreendedoras no estado, embora enfrentem desafios como menor renda e baixa formalização. O Programa Plural oferece consultorias e capacitações para ampliar negócios liderados por grupos historicamente sub-representados, incluindo mulheres negras na moda autoral.
Nirce Pereira dos Santos, de Aparecida de Goiânia, é um exemplo de superação. Após aprender a costurar, fundou a Njinga Moda Afro, que reaproveita retalhos para criar turbantes, bolsas e roupas com referências à ancestralidade africana. Ela destaca que o reaproveitamento gera lucro e contribui para a sustentabilidade ambiental.

