O senador Ciro Nogueira (PP-PI) decidiu trocar a equipe de defesa no caso Banco Master quatro dias após ser alvo de mandados da Polícia Federal. A mudança foi comunicada pelo escritório Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados, que foi substituído por Conrado Gontijo.
A saída da banca Almeida Castro, Castro e Turbay Advogados foi anunciada em nota assinada pelo criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, conhecido como Kakay. A nota informa que a decisão foi tomada em comum acordo com o senador, embora aliados afirmem que partiu dele, motivada pela reorganização da estratégia jurídica e política após o avanço da investigação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo a Polícia Federal, Ciro Nogueira é apontado como possível destinatário central de vantagens indevidas pagas por pessoas ligadas ao Banco Master. A investigação apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro. Entre os elementos citados está uma emenda apresentada pelo senador em 2024 para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), apelidada de “emenda Master”.
Aliados do senador relataram que a troca de advogado também foi influenciada por avaliações políticas, já que o perfil do criminalista Kakay, próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e conhecido pela exposição pública, poderia gerar ruídos na estratégia. Havia receio de que a atuação dele fosse mal recebida no entorno do ministro André Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Também foi mencionada preocupação com possíveis conflitos de interesse, pois Kakay defende outros envolvidos no caso e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha.
Paralelamente, interlocutores discutem cenários eleitorais para 2026. O senador vem sendo aconselhado a desistir da reeleição ao Senado e disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, o que manteria seu foro privilegiado no STF em caso de eleição. A operação da Polícia Federal causou impacto político, levando Ciro a se recolher em Brasília e receber apoio da bancada do PP, embora lideranças do Centrão adotem cautela pública diante da investigação.

