A Polícia Federal identificou uma estrutura paralela de inteligência chamada “A Turma”, que atuava para antecipar operações, monitorar investigadores e destruir provas no caso envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. A nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de maio, resultou em prisões preventivas autorizadas pelo STF.
A estrutura investigada reunia policiais federais ativos e aposentados, operadores financeiros, hackers e pessoas ligadas ao núcleo empresarial de Daniel Vorcaro. Segundo a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, o grupo mantinha uma engrenagem permanente de contrainteligência para reagir antes das ações da Polícia Federal.
O esquema funcionava em núcleos com funções específicas, como monitoramento de agentes públicos, consultas indevidas ao sistema interno e-Pol, destruição remota de dados e infiltração tecnológica em documentos eletrônicos. A delegada Valéria Vieira Pereira da Silva e o marido aposentado Francisco José Pereira da Silva são suspeitos de repassar informações sigilosas para o grupo.
O braço tecnológico da organização usava softwares para executar apagões remotos em aparelhos e sistemas eletrônicos, destruindo provas antes das buscas e apreensões. Entre os presos estão especialistas responsáveis por invasões, monitoramento ilegal e suporte tecnológico. Henrique Vorcaro, pai de Daniel, financiava parte da estrutura e gerenciava recursos por meio de contas de passagem para dificultar rastreamento patrimonial.
A decisão do STF destaca que o grupo manteve capacidade operacional mesmo após prisões anteriores e a morte de um operador conhecido como “sicário de Vorcaro”. O ministro André Mendonça autorizou sete prisões preventivas nesta fase da Operação Compliance Zero para evitar embaraços nas investigações.


