Benjamin Netanyahu anunciou nesta sexta-feira (15) que processará o New York Times e o colunista Nicholas Kristof por difamação, após artigo que relata suposto padrão de violência sexual de soldados israelenses contra detentos palestinos.
O artigo de Kristof, publicado em 11 de maio, descreve um suposto padrão de violência sexual generalizada por parte de soldados, colonos e guardas prisionais israelenses contra detentos palestinos. Netanyahu classificou o texto como uma das mentiras mais “hediondas e distorcidas” já publicadas contra Israel e acusou o jornal de tentar criar uma “falsa simetria” entre os terroristas do Hamas e os soldados israelenses.
O New York Times defendeu a reportagem, mantendo sua posição apesar das críticas do primeiro-ministro. A reação de Netanyahu é vista por alguns como autoritária, mas também compreensível diante das acusações graves.
O jornal tem antecedentes históricos de publicar propaganda ideológica de regimes totalitários. Nos anos 1930, o correspondente Walter Duranty usou o Times para encobrir o Holodomor, o genocídio por fome imposto por Stalin à Ucrânia. Décadas depois, em 1971, o jornal publicou um artigo da agência soviética Novosti, braço da KGB, que equiparava sionismo a nazismo, numa operação de propaganda soviética.
Esses episódios revelam a permeabilidade histórica do jornal a narrativas embaladas em linguagem humanista, que podem passar sem filtros editoriais rigorosos. Netanyahu pode ter motivos próprios para processar o Times, mas sua desconfiança tem raízes em uma história documentada de publicações controversas.

