Cientistas documentaram a maior migração já confirmada de uma baleia-jubarte individual, que percorreu ao menos 15.100 quilômetros entre áreas de reprodução na Austrália e no Brasil, em um intervalo de 22 anos.
Dois indivíduos da espécie foram identificados em deslocamentos entre o leste da Austrália e o Brasil, atravessando mais de 14 mil quilômetros de oceano aberto. Um deles estabeleceu um recorde ao ser fotografado em 2003 no Banco dos Abrolhos, Bahia, e reaparecer em 2025 em Hervey Bay, Queensland, Austrália.
Os pesquisadores usaram 19.283 fotografias de nadadeiras caudais coletadas entre 1984 e 2025, feitas por profissionais e cientistas cidadãos via plataforma Happywhale. Um software automatizado realizou o reconhecimento das imagens, seguido de verificação manual.
Stephanie Stack, doutoranda da Griffith University, afirmou: “Descobertas como esta só são possíveis por causa do investimento em programas de pesquisa de longo prazo, ao longo de várias décadas, e da colaboração internacional”. A pesquisadora principal, Cristina Castro, da Pacific Whale Foundation, destacou: “Cada foto contribui para o nosso entendimento da biologia das baleias e, neste caso, ajudou a revelar um dos movimentos mais extremos já registrados”.
Apesar da raridade — apenas 0,01% dos quase 20 mil indivíduos registrados —, essas migrações podem ser importantes para a saúde genética das populações e para a transmissão cultural dos cantos das baleias. A hipótese do “Intercâmbio do Oceano Austral” sugere encontros em áreas de alimentação na Antártida, com retorno por rotas diferentes.
Os cientistas também apontam que as mudanças climáticas, afetando o gelo marinho e a distribuição do krill antártico, podem alterar os padrões migratórios e aumentar a frequência dessas travessias.


