Pesquisadores da Unicamp desenvolveram o BabyID, sistema que utiliza inteligência artificial para identificar recém-nascidos por biometria com câmera de celular, visando evitar trocas como a ocorrida em hospital de Goiás em 2021.
O Hospital São Sebastião, em Inhumas (GO), foi condenado a pagar R$ 1 milhão por danos morais após a troca de dois bebês em 2021, descoberta três anos depois por exame de DNA. O caso expôs falhas nos protocolos de identificação de recém-nascidos.
Para reduzir esses erros, a Unicamp e a empresa Griaule desenvolveram o BabyID, que registra impressões digitais, rosto e íris do bebê usando apenas a câmera de um celular comum, sem contato físico. O sistema vincula os dados biométricos à mãe, formando um histórico contínuo desde o nascimento.
Testes realizados em Santa Catarina com cerca de 5 mil pares de impressões digitais mostraram que o BabyID identifica corretamente 99,77% dos registros, mesmo comparando imagens feitas no primeiro ano de vida com outras captadas até os 16 anos.
Além de prevenir trocas em maternidades, a ferramenta pode auxiliar em casos de desaparecimento infantil e fortalecer o registro civil. Em 2025, cerca de 24 mil crianças e adolescentes desapareceram no Brasil, segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública. A legislação brasileira já prevê a identificação biométrica de recém-nascidos desde 1990, com regulamentação do Ministério da Saúde em 2018.


