Dois alunos da rede municipal do Rio de Janeiro foram hospitalizados em um intervalo de seis meses após sofrerem bullying nas escolas. As famílias afirmam que já haviam alertado a direção sobre episódios recorrentes de violência física e psicológica.
Um menino de 11 anos perdeu a visão do olho direito após agressões na Escola Municipal Leonel Azevedo, na Ilha do Governador, em novembro do ano passado. A criança tinha glaucoma congênito no olho afetado e também sofreu fratura no pé e lesão no nariz. A mãe procurou a direção da escola, o Conselho Tutelar, a Coordenadoria Regional de Educação e a Central 1746 da Prefeitura do Rio.
Outra vítima é uma adolescente de 15 anos que teve o maxilar e os dentes quebrados após ser agredida em frente à Escola Municipal Raphael Almeida Magalhães, em Jardim Bangu. A mãe relatou que fez diversas reclamações à direção da escola por mais de um ano antes da agressão. A Secretaria Municipal de Educação transferiu a aluna agressora, instaurou sindicância e encaminhou o caso ao Conselho Tutelar.
A Secretaria afirmou que recebeu a primeira comunicação de bullying sobre o caso da adolescente no dia 18 de maio, véspera da agressão. A sindicância sobre o caso do menino que perdeu a visão está em andamento e é sigilosa.
O bullying foi criminalizado no Brasil pela Lei 14.811, de 2024, que atualizou o Código Penal. A pena para bullying presencial é multa, salvo se configurar crimes mais graves. Para bullying digital, a pena é de 2 a 4 anos de reclusão, além de multa. Atos cometidos por menores são tratados como ato infracional conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente.


