Microplásticos e poluentes orgânicos persistentes foram encontrados em sedimentos, peixes e invertebrados entre 400 e 1.500 metros de profundidade na Bacia de Santos, a cerca de 140 quilômetros da costa brasileira, segundo estudo do IO-USP e Ipen.
O levantamento, publicado no Marine Pollution Bulletin, identificou PCBs em sedimentos e tanto PCBs quanto PBDEs em peixes de espécies como Parasudis truculenta e Hoplostethus occidentalis. Nos invertebrados, especialmente no pepino-do-mar Deima validum, foram detectados microplásticos, incluindo polímeros usados na indústria têxtil e plásticos resistentes possivelmente ligados à indústria offshore local.
As amostras foram coletadas durante dois cruzeiros do navio oceanográfico Alpha Crucis em 2019, com protocolos rigorosos para evitar contaminação ambiental. O estudo integra o projeto DEEP-OCEAN, apoiado pela FAPESP e coordenado por Marcelo Roberto Souto de Melo.
Os pesquisadores destacam que o mar profundo, apesar do difícil acesso, revela impactos das atividades humanas e demanda monitoramento contínuo para entender a origem e os efeitos desses poluentes na fauna marinha.


