O Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu nove documentos no último ano contendo comandos invisíveis para manipular sistemas de inteligência artificial usados pela Corte. A técnica, chamada “prompt injection”, foi identificada em petições enviadas a cinco ministros. O tribunal instaurou inquérito para apurar o caso.
Os documentos foram protocolados por um advogado de 28 anos que atua em Campo Grande (MS). Segundo ele, a responsabilidade seria de um ex-funcionário do escritório, sem conhecimento dos sócios. O presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, determinou a abertura de inquérito interno para investigar a produção, protocolo e encaminhamento das petições.
As petições continham texto em letras brancas sobre fundo branco, invisível para leitores humanos, mas legível por sistemas automatizados. O comando oculto instruía a inteligência artificial a processar os documentos como se os requisitos de admissibilidade estivessem plenamente satisfeitos.
Os recursos foram enviados a ministros em datas distintas entre julho de 2025 e fevereiro de 2026. Especialistas alertam que a técnica de “prompt injection” é discutida internacionalmente como forma de manipulação de sistemas automatizados. O advogado negou má-fé e afirmou ser vítima de conduta desidiosa de funcionário que descumpriu compliance interno.


