O governo dos Estados Unidos deportou pelo menos 175 imigrantes para países africanos em nove meses, por meio de operações chamadas de “deportações de 3º país”, estabelecidas desde julho de 2025, segundo a organização Third Country Deportation Watch.
As ações são coordenadas pelo Immigration and Customs Enforcement (ICE) e envolvem o envio de imigrantes para países com os quais não possuem ligação direta. O último voo identificado ocorreu em 2 de abril, levando 12 pessoas a Uganda, conforme dados da Third Country Deportation Watch.
Desde o início do terceiro mandato do presidente Donald Trump, em janeiro de 2025, foram firmados acordos com 14 países africanos para a transferência dessas pessoas. O governo dos EUA arca com os custos das operações e realiza transferências financeiras milionárias ou oferece benefícios econômicos aos países receptores.
As deportações incluem cidadãos de países africanos, latino-americanos e asiáticos, e ocorrem em diferentes fases dos processos migratórios, afetando inclusive solicitantes de asilo e refugiados aprovados para reassentamento. Algumas pessoas foram detidas em condições restritivas, como no caso de deportados para o Sudão do Sul.
A administração Trump justifica as medidas com base na Lei dos Inimigos Estrangeiros, de 1798, classificando os imigrantes como ameaça. Em fevereiro de 2026, um juiz federal suspendeu parte da política por violar direitos, mas o Tribunal de Apelações e a Suprema Corte mantiveram a política vigente enquanto o processo judicial continua.


