Mais da metade das vítimas de mortes violentas no Brasil consumiu álcool ou drogas antes da morte, segundo estudo da Universidade de São Paulo divulgado nesta segunda-feira (25). A pesquisa analisou 3.577 casos entre março de 2022 e junho de 2024 em Belém, Recife, Vitória e Curitiba.
O estudo identificou presença de pelo menos uma substância psicoativa em 53% das vítimas, com a cocaína sendo a mais frequente, presente em 29,6% dos casos, seguida pelo álcool em 27,7%. Entre homicídios, que representaram 67,3% das mortes analisadas, 55,7% das vítimas haviam consumido álcool ou drogas, com a cocaína detectada em 36% das análises.
Nos acidentes de trânsito, o álcool foi a principal substância associada às mortes, presente em mais de 40% dos casos. Já nos suicídios, os benzodiazepínicos tiveram alta presença, com um em cada cinco casos apresentando resultado positivo para esses medicamentos usados no tratamento de ansiedade e insônia.
Os pesquisadores destacam que o consumo de drogas é um problema complexo que exige políticas públicas integradas, incluindo prevenção, redução de danos, tratamento e proteção social, em contraponto ao modelo proibicionista e criminalizante que pode agravar a violência.


