O pai de um homem preso nesta terça-feira (26) por se passar por médico em um hospital na zona leste de São Paulo também já havia sido detido por exercer ilegalmente a medicina, segundo a Polícia Civil. O homem, cuja identidade não foi revelada, foi flagrado realizando tratamento em dois criminosos foragidos no bairro de São Mateus.
As informações foram divulgadas durante coletiva de imprensa sobre a segunda fase da Operação Hipócrates, que investiga um esquema de falsos médicos no Hospital Jardim Helena, em São Miguel Paulista. O secretário da Segurança Pública, Nico Gonçalves, afirmou que o pai já respondeu pelo crime e está em liberdade. O delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, acrescentou que a ocorrência foi no ano passado.
Dois mandados de prisão foram expedidos. Um homem foi detido, enquanto outro suspeito, que já havia sido alvo da primeira fase da operação em dezembro, está foragido, segundo a polícia, no Chile. Sem formação em medicina, os dois atuaram por dois anos como plantonistas aos finais de semana e realizaram mais de 2 mil atendimentos. O inquérito apura ao menos nove mortes de pacientes atendidos por eles. O delegado Mariano de Araújo, do 22° DP, afirmou que um dos óbitos já teve laudo do IML apontando erro de procedimento, relacionado a uma paciente cardíaca que não recebeu exame adequado.
Para se passar por médicos, os investigados utilizaram dados verdadeiros de profissionais formados. Um deles se apropriou do registro de um médico de Marília; o outro, de um profissional de Catanduva. A polícia informou que um dos suspeitos é biomédico formado, enquanto o outro cursou alguns semestres de medicina. Um vídeo obtido pela imprensa mostra um dos homens aplicando injeção de Mounjaro em uma mulher na via pública.


