O novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, tomou posse na última sexta-feira em cerimônia na Casa Branca, evento que só ocorrera antes com Alan Greenspan em 1987, poucos meses antes do crash da Black Monday. Warsh assume em um cenário econômico desafiador: inflação anual de 3,8%, desemprego de 4,3% e pressão do presidente Donald Trump por cortes de juros — enquanto a economia dá sinais de estagflação.
A posse de Warsh reacende a memória do episódio de 1987, quando Greenspan foi empossado no mesmo local e, pouco mais de dois meses depois, o S&P 500 despencou 20,5% em um único dia. Embora analistas evitem atribuir a crise ao local da cerimônia, o histórico de transições no comando do Fed é de turbulência: segundo pesquisa da Carson Investment Research, o S&P 500 registra queda média de 12% nos três meses seguintes à troca de presidente, embora se recupere em 75% dos casos no prazo de um ano.
Warsh herda uma economia que combina desaceleração do emprego com aceleração dos preços — a chamada estagflação. O índice de preços ao consumidor subiu 3,8% em relação ao ano anterior, e os preços ao produtor também avançaram. Ao mesmo tempo, a confiança do consumidor caiu para um dos níveis mais baixos em anos. O novo presidente do Fed terá de equilibrar a pressão política por juros mais baixos, defendida por Trump, com a necessidade de conter a inflação.
Para analistas, Warsh pode precisar seguir o exemplo de Paul Volcker, que em 1979 elevou juros para combater a inflação e causou uma queda de 10,1% no S&P 500 em três meses, mas viu o mercado disparar 63,8% nos doze meses seguintes. “A credibilidade importa mais que o conforto de curto prazo quando a inflação se espalha”, ponderam especialistas. A avaliação é que, independentemente da cerimônia, a política monetária disciplinada tende a prevalecer no longo prazo.


