A ex-gestora de fundos hedge Clare Flynn Levy, fundadora da Essentia Analytics, errou ao transferir recursos de ações para títulos em contas 529 após a eleição, perdendo um forte rali do mercado acionário. Ela defende que investidores documentem suas teses de investimento e fixem datas para reavaliação, prática que teria evitado o erro.
Levy moveu o dinheiro esperando que a inflação prejudicasse as ações, mas o mercado não reagiu conforme o previsto. A inflação permaneceu elevada — o PCE headline estava em 3,5% ao ano em março de 2026, e o core em 3,2% —, mas o índice S&P 500 disparou. O ETF SPY rendeu 29,61% nos últimos 12 meses e 31,44% desde novembro de 2024.
Enquanto isso, os títulos públicos tiveram desempenho fraco com a alta dos juros. O rendimento do título de 10 anos atingiu 4,56% em 22 de maio, subindo 0,26 ponto percentual no mês, o que reduziu o preço dos papéis. Levy admitiu: ‘Perdi uma enorme alta adicional das ações ao fazer isso. E o mercado de títulos não foi particularmente bom’.
Segundo Levy, a disciplina de anotar a tese e definir uma data de reavaliação impediu que ela permanecesse ‘apegada à decisão original’. Com a data marcada, pôde reavaliar o cenário com base em novas condições — como os cortes de juros do Fed, que iniciou em setembro de 2025 e levou a taxa dos fed funds para 3,75% em maio de 2026, ante 4,5% um ano antes.
A situação é especialmente crítica em planos 529, que têm prazo fixo para saques. ‘Cada trimestre passado na classe de ativos errada é um trimestre que não pode ser recuperado antes do pagamento das mensalidades’, alertou Levy. A prática de documentar a tese, diz ela, transforma uma decisão errada em algo recuperável.


