O debate sobre a venda fracionada de gás de cozinha (GLP) no Brasil ganhou novo impulso antes de reunião da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), marcada para sexta-feira (29). A resolução do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) de abril manteve as regras atuais, mas revendedores e distribuidoras seguem em lados opostos.
Para o presidente da Associação Brasileira de Entidades de Classe das Revendas de Gás LP (Abragás), José Luiz Rocha, o discurso de proteção ao consumidor é usado para preservar um mercado concentrado. “O medo virou ferramenta para proteger o oligopólio do gás de cozinha”, afirmou em nota. Segundo ele, poucas empresas dominam mais de 90% do setor.
A cofundadora da PayGas, Natalia Guida Giampietri, defende a mudança. A empresa opera fracionamento na África do Sul há sete anos, com mais de 600 mil clientes. Segundo ela, mais de 60% dos consumidores optam pelo enchimento parcial por não terem recursos para a carga completa. A proposta reduziria o preço do botijão cheio em até R$ 20, ao eliminar custos como logística reversa e destroca de vasilhames.
Atualmente, o botijão de 13 kg custa R$ 113,69. Desse total, 49,8% (R$ 56,67) correspondem a distribuição e revenda. O ICMS representa R$ 19,11 (16,8%), e a parcela da Petrobras, R$ 37,91 (33,3%). Rocha criticou o uso de exemplos de países com fragilidades regulatórias, como Paraguai e México, em vez de experiências de mercados maduros na Europa, América do Norte ou Ásia.


