Quatro meses após a destituição de Nicolás Maduro, a Venezuela passa por um lento processo de redemocratização, segundo uma fonte da diplomacia norte-americana. O Departamento de Estado dos EUA ainda não trabalha com a possibilidade de eleições gerais, afirmou o diplomata.
A fonte afirmou que são necessários ao menos um ano para sanear as estruturas do país, principalmente as Forças Armadas e os Poderes. “É algo que não se faz em menos de um ano e pode ser que vá além”, disse. Segundo o diplomata, a sucessora de Maduro, Delcy Rodríguez, atua sob forte influência da Casa Branca, sendo descrita como “governante tutelada”. Ela tem cooperado com exigências americanas em áreas como abertura econômica, libertação gradual de presos políticos e reorganização do setor petrolífero.
Os EUA tentam conduzir uma “redemocratização vigiada” da Venezuela, evitando um colapso institucional completo do chavismo, que ainda mantém poder no país, ao mesmo tempo que reduzem a influência de países como Rússia, China e Irã. O petróleo é peça central da estratégia americana, com flexibilização parcial de sanções, reabertura de canais diplomáticos e estímulo à entrada de empresas estrangeiras no setor energético.
Integrantes do chavismo trabalham para ganhar tempo e atravessar o atual governo republicano, mas o diplomata afirmou que, mesmo que o presidente Donald Trump perca a Câmara ou o Senado nas eleições legislativas deste ano, a Venezuela seguiria sob tutela dos EUA. “A diplomacia continua nas mãos do presidente”, disse, acrescentando que nem os democratas querem interferir nesse processo.


