Uma unidade do Burger King na avenida Nazaré, em Belém, foi multada em R$ 30 mil pela prefeitura após destruir e concretar uma calçada feita de pedra de lioz, um calcário raro protegido por tombamento histórico desde 1982. A obra foi embargada e a empresa terá de restaurar o espaço à forma original.
O caso gerou indignação entre historiadores e urbanistas. O historiador Márcio Neco afirmou à imprensa que Belém sofre agressões constantes ao patrimônio histórico. “Rotineiramente Belém é vítima de agressões em relação ao seu patrimônio histórico. O fato de concretar o calçamento da avenida Nazaré é só mais um episódio de descaso e destruição”, disse. As pedras de lioz, trazidas de Portugal durante o ciclo da borracha, são consideradas símbolo da Belle Époque e estão presentes em diversos bairros.
Segundo a Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel), a fiscalização flagrou a destruição e concretagem da calçada. A unidade foi notificada, multada e embargada, com prazo de 24 horas para apresentar as licenças. As pedras retiradas foram apreendidas e a empresa terá de recolocá-las sob supervisão técnica. A Sezel informou ainda que encontrou outras irregularidades, como ausência de alvará, problemas de drenagem, falta de licenciamento hidrossanitário e suspeita de descarte inadequado de efluentes, o que pode configurar crime ambiental.
Para o historiador Márcio Neco, o episódio revela a falta de educação patrimonial em Belém. “A destruição revela que o nosso patrimônio ainda vive sendo vítima dos interesses capitalistas. É necessário estar sempre alerta para que a nossa história seja preservada”, concluiu.


