A Justiça Federal afastou do cargo o chefe da Unidade Técnica Local da Funai em Feijó, no Acre, suspeito de desviar benefícios sociais de indígenas. A medida decorre da Operação Tutela Originária, deflagrada pela Polícia Federal no dia 20 de maio. Investigações indicam que o servidor retinha cartões bancários e documentos de indígenas Ashaninkas e Kulina desde 2012.
O Ministério Público Federal (MPF) pediu o afastamento cautelar, concedido pela Justiça Federal nesta quarta-feira (27). Além da suspensão imediata, o servidor está proibido de ser nomeado para funções de direção ou assessoramento na política indigenista até o julgamento final, e não pode acessar a unidade da Funai em Feijó. Ele tem 24 horas para devolver bens da Funai sob sua posse, e o órgão deve cumprir o afastamento em cinco dias, sob multa diária.
Segundo a decisão, as vítimas relataram que o esquema começou em 2012, aproveitando-se de barreiras linguísticas e da dependência institucional da Funai. O suspeito é cacique do povo na região do Alto Rio Envira, o que, conforme a investigação, consolidava a relação de confiança usada para reter cartões e documentos. A Polícia Federal cumpriu três mandados de busca e apreensão no dia 20 para apurar a participação de outras pessoas.
O servidor afirmou à imprensa que ainda não foi notificado do afastamento. A Funai não se manifestou até a publicação.


