O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), utilizou um artifício regimental para impedir que os deputados votassem nesta quarta-feira (27) uma proposta alternativa à PEC do fim da escala 6×1. Ele colocou em votação simbólica o texto do relator, Leo Prates (Republicanos-BA), antes de um destaque do PL que previa a redução para a escala 4×3 (três dias de folga). Com isso, o destaque foi rejeitado.
Motta fez a manobra para evitar que deputados ficassem expostos a críticas ao votar contra a proposta mais vantajosa. Agora, a votação será apenas do texto do relator, que estabelece a escala 5×2, com dois dias de folga, e redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais. A PEC foi aprovada em comissão especial por 34 votos a 4.
O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que o partido defende a redução imediata e a escala 4×3. A proposta original de Erika Hilton (PSOL-SP) previa 36 horas semanais, mas foi alterada pelo relator. Nos bastidores, integrantes da bancada do PL afirmam que o objetivo era constranger o governo Lula, que teria de se opor a uma medida mais benéfica aos trabalhadores.

