Um estudo publicado na revista Nature Reviews Earth & Environment aponta que inundações ocorridas em 2025 causaram 4,2 mil mortes e prejuízos de US$ 28 bilhões em todo o mundo. A pesquisa, conduzida por cientistas da Unesp, Cemaden e Nasa, analisou os principais desastres hidrológicos do ano passado.
Para chegar aos resultados, os pesquisadores combinaram modelos computacionais com dados do sistema de monitoramento ambiental da Nasa. Eles compararam o nível máximo atingido por cada rio em 2025 com o histórico dos últimos 22 anos. ‘Quando um rio ultrapassou o nível associado a uma enchente grave, aquela área foi classificada como zona de risco elevado’, explicou Enner Alcântara, pesquisador da Unesp e um dos autores.
O estudo destacou episódios graves, como a enchente no Texas (EUA) em julho, que deixou 135 mortos, e as chuvas no Rio Grande do Sul em junho, que ultrapassaram 170 mm. O estado brasileiro foi apontado como região de atenção devido à saturação do solo deixada pelos desastres de 2024. ‘Enchentes sucessivas não são eventos independentes; uma catástrofe pode deixar o território mais vulnerável à próxima’, afirmou Alcântara.
Embora 2025 tenha sido um dos anos com menor exposição a inundações em duas décadas, os pesquisadores alertam que isso não representa melhora estrutural. ‘As emissões de gases de efeito estufa continuaram elevadas e as temperaturas globais seguiram excepcionalmente altas’, disse Alcântara. O alívio foi atribuído a fases mais frias do El Niño e da Oscilação Decadal do Pacífico.


