O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou nesta quarta-feira (27) que o governo federal injete pelo menos R$ 6 bilhões nos Correios até o fim de 2027 para evitar o colapso da estatal, que acumula prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões.
O TCU avaliou que o plano de recuperação dos Correios, previsto para 2025 a 2027, é frágil e baseado em dados financeiros pouco confiáveis. De trinta ações propostas, apenas cinco tiveram impacto financeiro calculado. O programa de demissão voluntária teve adesão de 3.748 funcionários, bem abaixo da meta de 10.000, e a venda de imóveis para reforçar a tesouraria avança lentamente, longe da meta de R$ 1,5 bilhão.
Para evitar a interrupção das atividades, a estatal contraiu empréstimo de R$ 12 bilhões com bancos, tendo o governo federal como fiador. O TCU determinou que ministérios e órgãos envolvidos criem regras para garantir o aporte de R$ 6 bilhões, conforme exigência contratual, sob risco de cobrança imediata da dívida.
O tribunal também apontou falhas na fiscalização do governo, que aceitou ser fiador mesmo com as contas negativas desde 2023. O Ministério das Comunicações aprovou o plano sem avaliação técnica independente, e o Tesouro Nacional autorizou a garantia com critérios brandos e análise superficial.
Além disso, o TCU ordenou que os Correios enviem relatórios trimestrais detalhados e autorizou investigação para punir gestores responsáveis pelo colapso financeiro. O tribunal recomendou mudanças nas regras para que o governo exija auditorias independentes antes de liberar garantias para estatais.


