O nervo vago, o mais longo do corpo humano e que conecta o cérebro ao intestino, tornou-se tendência em redes sociais como suposto “botão biológico de reset emocional”. Especialistas ouvidos pela imprensa explicam que, embora algumas técnicas como respiração lenta e exposição ao frio possam trazer bem-estar, não há comprovação direta de que o nervo seja o responsável.
Segundo o médico Alexandre Lucidi, mestre em Neurologia, o nervo vago modula a regulação emocional, humor e ansiedade. Ele alerta que a internet transformou dados científicos em uma espécie de “botão biológico”, mas que a maioria das técnicas virais não produz neuromodulação clinicamente relevante.
A terapeuta Renata de Abreu, especialista em ayurveda, afirma que práticas como gargarejos, sons graves e automassagem no pescoço podem ajudar, mas não substituem hábitos básicos como exercícios e boa alimentação. Ela critica a quantidade de “informação vazia apenas para engajar” publicada nas redes.
A dentista Mônica Rocha relata que adotou pequenas rotinas e sentiu melhora no humor e no sono. Centros de bem-estar, como o CD Wellness no Rio, já incluem estímulos ao nervo vago em seus rituais. Já o neurocirurgião americano Kevin Tracey, autor do livro “O nervo vago”, afirma que não há provas diretas de que o nervo vago seja o responsável pelos efeitos observados.


