O Brasil lidera o ranking mundial de rinoplastias, com mais de 102 mil procedimentos realizados, segundo a International Society of Aesthetic Plastic Surgery. A cirurgia nasal, antes ligada apenas à estética, passa a ser buscada por pacientes que enfrentam dificuldades respiratórias, como a rinite, que afeta cerca de 30% da população brasileira, segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.
A busca por intervenção cirúrgica tem se deslocado do padrão de beleza para a necessidade funcional. Pacientes procuram especialistas para resolver problemas que causam sono ruim, cansaço e sensação de nariz entupido. A rinoplastia moderna, segundo especialistas, prioriza a harmonia e a capacidade de respirar adequadamente, distanciando-se da lógica de um “nariz perfeito”.
A mudança de foco é evidenciada pelo retorno de alguns pacientes que, após procedimentos realizados em décadas passadas, buscam recuperar a função respiratória. O médico otorrinolaringologista Gustavo Jorge Magalhães explica que a discussão atual aponta para a saúde, visto que respirar bem interfere diretamente na concentração, no humor e no rendimento físico.
O crescimento dos procedimentos exige responsabilidade médica rigorosa. Embora não haja idade máxima para a cirurgia, é fundamental avaliar as condições clínicas e o crescimento facial em pacientes jovens. A intervenção, quando bem conduzida, une função e autoestima sem apagar a identidade do indivíduo.

