Trinta anos após a primeira edição, a Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, que hoje atrai mais de 2 milhões de pessoas, revela que direitos conquistados ainda enfrentam disputas políticas no Brasil. Especialistas apontam que a maioria dessas conquistas advém de decisões do Poder Judiciário, e não de leis aprovadas pelo Congresso Nacional.
A manifestação, que começou em 1996 com cerca de 500 participantes, impulsionou avanços como o reconhecimento do casamento homoafetivo e a criminalização da homofobia. Contudo, Renan Quinalha, professor de direito da Unifesp, explica que essa dependência do Judiciário torna as conquistas mais suscetíveis a mudanças de entendimento nos tribunais.
O risco de retrocesso é alimentado por ações legislativas recentes. Em maio deste ano, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou um projeto de lei que restringe a presença de crianças e adolescentes em eventos que aludem a práticas LGBTQIA+ e proíbe a ocupação de vias públicas. Em contrapartida, há projetos que buscam declarar a Parada como Patrimônio Cultural Imaterial do estado.
Organizadores da Parada defendem que a mobilização nas ruas permanece essencial. Matheus Emílio, diretor do evento, afirmou que praticamente todas as pautas que geraram avanços judiciais passaram antes pela Avenida Paulista. Ele considera que a necessidade de recorrer ao Judiciário demonstra uma omissão histórica do Poder Legislativo.


