Os peruanos votam neste domingo (3) para escolher o nono presidente em dez anos. A conservadora Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, e o esquerdista Roberto Sánchez, de Juntos por el Perú, disputam a preferência popular em um cenário de grande instabilidade política.
Pesquisas eleitorais divulgadas em maio mostram Keiko Fujimori com vantagem sobre Sánchez. O levantamento da Ipsos apontou a conservadora com 40,4%, contra 38,3% do esquerdista, embora ambos estivessem tecnicamente empatados dentro da margem de erro de 2,8 pontos percentuais. Outra pesquisa, do Datum, registrou Keiko com 39,7% e Sánchez com 35,4%.
Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, teve histórico político marcado por disputas e prisões. Ela foi acusada de receber dinheiro da empreiteira Odebrecht em 2011 e foi presa preventivamente em outubro de 2018 no âmbito do escândalo. Por sua vez, Roberto Sánchez, deputado federal, promete conceder indulto a Pedro Castillo, condenado a 11 anos por tentativa de golpe de Estado, e defende a criação de uma nova constituição.
A instabilidade política no Peru é analisada por especialistas como resultado da profunda divisão socioeconômica do país e da fragilidade institucional. O professor Carlos Eduardo Vidigal, da Universidade de Brasília, explicou que a diferença entre o litoral e a região andina evidencia essa divisão. Carolina Pedroso, da Universidade Federal de São Paulo, afirmou que os escândalos de corrupção, como os da Odebrecht, abalaram a credibilidade dos políticos tradicionais.


