Os eleitores peruanos votam neste domingo (7) para escolher o nono presidente em dez anos de crise política. O segundo turno enfrenta a direitista Keiko Fujimori, com 17,1% dos votos no primeiro turno, e o esquerdista Roberto Sánchez Palomino, que obteve 12,0%.
A instabilidade política no Peru é marcada por dois presidentes que renunciaram e seis que foram destituídos pelo parlamento, considerado o poder de fato no país. Analistas apontam que a disputa polariza o pleito. O antropólogo Salvador Schavelzon, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), disse que a presença de Fujimori gera polarização, e que Sánchez Palomino representa o legado do anti-fujimorismo.
Keiko Fujimori herda a rejeição ao antigo presidente, Alberto Fujimori, condenado por violações de direitos humanos. Já Sánchez Palomino, aliado do ex-presidente Pedro Castillo, defende reformas constitucionais para afastar a Carta Magna herdada do fujimorismo. Castillo, que venceu em 2021, foi destituído, preso e condenado por tentativa de golpe de Estado.
A eleição também influencia a geopolítica continental. Schavelzon avalia que a vitória de Fujimori reforçaria o alinhamento com os Estados Unidos e a extrema-direita da região. Contudo, ele pondera que a vitória de Sánchez Palomino não romperia com Washington, devido à fragilidade dos governos progressistas na América do Sul.


