Normas internacionais e a pressão de investidores forçam empresas a vincular metas de sustentabilidade à remuneração executiva. Segundo o CEO da Ecomilhas, entre 10% e 30% do bônus variável da liderança já está atrelado a indicadores ESG, exigindo comprovação com dados primários e auditoria independente.
O ESG, que passou de discurso institucional a fator de remuneração, é impulsionado por diretrizes como a Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD) e a IFRS S2. Um levantamento da KPMG aponta que 78% das companhias de capital aberto avaliadas já ligam metas ESG aos bônus dos executivos. O executivo da Ecomilhas afirmou que, ao virar KPI de bônus, o executivo trata as metas como linha de receita, e não como mero cumprimento de regras.
As métricas mais consolidadas incluem redução de emissões de Escopo 1 e 2, diversidade na liderança e segurança do trabalho. Contudo, o ponto crítico é a auditabilidade do indicador. A tendência aponta para a migração ao Escopo 3, que a McKinsey estima representar até 90% da pegada de carbono de uma empresa. Relatórios indicam que emissões da cadeia de suprimentos podem ser até 11 vezes maiores que as operacionais.
A falta de rastreabilidade gera risco de *greenwashing*. A Science Based Targets initiative (SBTi) rejeitou mais de 200 alvos em 2024 por ausência de evidência mensurável. Para evitar essa prática, o executivo defende três princípios: dado primário, auditoria independente e materialidade, pois a métrica deve resistir a uma *due diligence* externa.

