A inflação nos Estados Unidos acelerou para 4,2% em maio, reacendendo preocupações sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed). O economista Fernando Agra, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), avalia que o cenário exige atenção devido à distância do índice em relação à meta de 2%.
Agra observou que a trajetória de preços demonstrou deterioração relevante. O Índice de Preços ao Consumidor (CPI) estava em torno de 2,4% no início do ano, avançou para a faixa de 3,4% a 3,5% em abril e superou 4% em maio. Segundo o especialista, esse movimento pode influenciar a decisão do Fed na próxima semana, sugerindo que pode haver um aumento dos juros.
O analista atribuiu a alta inflacionária ao encarecimento da energia, especialmente da gasolina, em um contexto de valorização do petróleo e conflitos geopolíticos. Ele afirmou que a política monetária tem eficácia limitada contra essa pressão, pois “inflação de custo não se combate com taxa de juros alta”.
Para Agra, o avanço inflacionário não decorre de excesso de consumo, mas do aumento de custos nas cadeias produtivas. Ele declarou que o combate a esse tipo de inflação requer medidas estruturais de longo prazo. Além disso, a continuidade dos conflitos internacionais mantém os mercados em ambiente de elevada volatilidade.


