O setor produtivo critica a celeridade na discussão sobre o fim da escala 6×1, exigindo um debate mais aprofundado sobre os efeitos econômicos e sociais da mudança. A pressão popular tem impulsionado a pauta, mas empresários apontam desafios estruturais brasileiros para uma transição gradual.
Apesar da mobilização nas redes sociais, representantes do setor produtivo avaliam que a proposta de alteração da jornada de trabalho tem sido conduzida de forma acelerada. A percepção é de que falta tempo para discutir os impactos sobre o mercado de trabalho e a produtividade. O governo tem intensificado a defesa da medida nas redes sociais para pressionar o Senado, mas o presidente da Casa mantém a tramitação sem calendário definido.
No âmbito legislativo, a alternativa “PEC das horas trabalhadas”, apresentada por um senador, reuniu apoio inicial de 40 dos 81 parlamentares e avançou para a CCJ. Contudo, o aumento da pressão popular levou alguns senadores a revisarem suas posições. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo apoia a proposta alternativa, mas o setor empresarial manifesta preocupação com a ausência de tempo para uma discussão abrangente.
Empresários argumentam que experiências internacionais de redução de jornada ocorreram em economias com maior infraestrutura e qualificação profissional. No Brasil, persistem desafios como informalidade elevada e baixa produtividade. Por isso, defendem que a redução da jornada deve ser uma tendência de longo prazo, mas exige uma transição gradual e um debate racional sobre as condições de implementação.

