Taty Almeida, presidente das Mães da Praça de Maio e referência na defesa dos direitos humanos na Argentina, morreu no domingo, 14 de julho de 2026, aos 95 anos. A militante foi uma das vozes mais conhecidas na denúncia dos crimes cometidos durante a ditadura militar argentina, conforme confirmou a organização.
Almeida, nascida Lidia Stella Mercedes Miy Uranga, começou sua militância após o desaparecimento do filho, Alejandro Almeida, em 1975. Na época, ele tinha 20 anos e integrava o Exército Revolucionário do Povo (ERP), sendo sequestrado por agentes da Triple A, grupo paramilitar anticomunista ativo entre 1976 e 1983. O paradeiro de Alejandro, assim como de milhares de desaparecidos, nunca foi localizado.
A figura, marcada pelo uso do lenço branco em manifestações, participou de mobilizações sociais e apoiou movimentos sindicais e estudantis por décadas. Nos anos recentes, Almeida manteve postura crítica ao governo de Javier Milei, especialmente sobre as políticas de memória e direitos humanos, e participou de atos pelos 50 anos do golpe militar argentino em março deste ano.
Sua filha, Fabiana Almeida, informou que a mãe passou mal na manhã de domingo. A organização das Mães da Praça de Maio emitiu nota em referência à trajetória da militante, afirmando: “Obrigada por nos ensinar que amar é resistir, que a única luta que se perde é a que se abandona e que não existe força maior do que a do amor”.

