Um pai de ex-banqueiro repassava mensalmente R$ 400 mil a um agente aposentado da Polícia Federal para obter informações de investigações sigilosas. O esquema, detalhado em relatório da PF, envolveu o cooptamento de servidores ativos e aposentados para vazamento de dados internos.
O agente aposentado é apontado como responsável por criar um mecanismo de vazamento interno na corporação. Segundo as investigações, ele ofereceu pagamentos via Pix, presentes e um pagamento de fim de ano para recrutar servidores da ativa da PF. Assim, ele cooptou um agente e uma delegada, além de outros policiais federais aposentados.
A infiltração garantiu acesso a dados em sistemas internos, como o e-Pol, onde são registrados inquéritos em curso. Por meio desse esquema, o ex-banqueiro obteve um mandado de prisão contra si e o repassou a um veículo de comunicação para antecipar a informação. Por determinação do STF, os policiais aposentados e um agente ativo foram alvos de mandados de prisão preventiva.
Os pagamentos ao agente aposentado eram mascarados como prestação de serviços de uma empresa. Mensagens obtidas pela corporação mostram que o agente cobrou o pai do ex-banqueiro após atrasos nos repasses. Além disso, o contador do agente dava orientações sobre como ocultar a origem dos depósitos da família.

