Um estudo publicado na revista Science desafia a hipótese tradicional de que os primeiros animais aquáticos a migrar para a terra passaram por uma metamorfose semelhante à dos anfíbios. A pesquisa analisou fósseis raros de Mazon Creek, no norte de Illinois, EUA, e alterou a compreensão sobre o desenvolvimento dos primeiros vertebrados terrestres.
A investigação focou um espécime juvenil de um animal semelhante a um crocodilo, conhecido como embolômero. Este animal vivia na água, mas desenvolvia pequenas pernas. Anteriormente, acreditava-se que ele apresentasse características de girinos, como brânquias externas, segundo Jason Pardo, pesquisador associado do Field Museum em Chicago e coautor do estudo.
Entretanto, o corpo do filhote, de tamanho reduzido, mostrou sinais de desenvolvimento direto. Isso indica uma estrutura semelhante à forma adulta, o que difere do processo de metamorfose anfíbia, que exige reorganização drástica de órgãos e membros. Pardo declarou que “essa metamorfose, esse ciclo de vida semelhante ao dos anfíbios, que por 150 anos acreditamos fazer parte da nossa história, na verdade não fez parte dela”.
John Long, paleontólogo australiano, comentou que o trabalho é “bastante extraordinário”. Ele explicou que os fósseis demonstram que os animais passaram diretamente para a fase juvenil, sem necessitar da fase de girino.

