A nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master, reacendeu o debate sobre limites éticos na relação entre agentes privados e autoridades públicas. O especialista Carlos Akira Sato afirmou que o despacho de busca e apreensão aponta indícios de trocas de favores, mas que as medidas não configuram condenação prévia.
Carlos Akira Sato, cofundador da Sky Capital e especialista em infraestrutura financeira, avaliou o caso, comparando as suspeitas levantadas com as regras adotadas por empresas privadas após a Lava Jato. Segundo ele, companhias passaram a limitar ou proibir presentes, cortesias e viagens patrocinadas para evitar conflitos de interesses. Sato declarou que, no ambiente corporativo, códigos de conduta vedam até receber um presente acima de R$ 100.
O especialista comentou que alguns benefícios descritos pela Polícia Federal parecem desproporcionais aos padrões privados. Ele citou suspeitas envolvendo ajuda para aquisição de imóvel de R$ 2 milhões e uso de jatos executivos. Sato afirmou que “Pedir uma ajuda para aquisição de um apartamento de R$ 2 milhões não parece razoável”.
Para Sato, o debate deve abranger todas as esferas do setor público, incluindo Legislativo, Executivo e Judiciário. Ele defendeu a criação de códigos de conduta rigorosos, pois o bom senso não basta. O especialista alertou que os episódios recentes indicam risco de repetição de uma “crise ética gravíssima” vivenciada durante a Lava Jato.

