A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) criticou projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional, alegando que o conceito de alimentos ultraprocessados usado nas propostas é amplo e sem definição científica consolidada. A entidade aponta que a classificação, criada em 2009 por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), não foi aceita pela comunidade científica internacional.
O presidente executivo da Abia, João Dornellas, afirmou que a principal preocupação do setor é a imprecisão do termo. A Abia contabiliza 188 projetos de lei que mencionam ultraprocessados, muitos deles focados em restrições ou proibições de venda e consumo desses produtos na alimentação escolar.
Dornellas explicou que a classificação engloba produtos nutricionalmente distintos, abrangendo desde refrigerantes e balas até fórmulas infantis, iogurtes e pães industrializados. Ele disse que o problema reside na associação popular do termo apenas a itens como hambúrgueres ou donuts, quando a abrangência é muito maior.
A indústria defende, como alternativa, políticas de educação alimentar e nutricional, argumentando que a obesidade é um problema multifatorial. Segundo o executivo, é preciso estimular a alimentação saudável em vez de buscar um culpado em um único grupo de alimentos. A entidade alertou ainda que restrições poderiam elevar custos para escolas e municípios, exigindo mudanças logísticas na merenda.

