O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou a Operação Juros Zero em 19 de junho, investigando um esquema fraudulento em folhas de pagamento do Governo do Distrito Federal (GDF). A operação apura o desvio de mais de R$ 81 milhões do funcionalismo público entre 2024 e 2025, por meio de cobranças ocultas.
O esquema utilizava o Banco Regional de Brasília (BRB) e a plataforma digital PicPay. A subsidiária do banco, a BRB Serviços, funcionava como intermediária, cobrando taxas que, ao serem calculadas em juros compostos anuais, atingiam 2.612%. O sistema se camuflava em um programa de antecipação salarial que, por decreto do DF de agosto de 2024, garantia juro zero.
Operadores financeiros criaram um caminho alternativo, cobrando valores sob a justificativa de tarifa administrativa. De acordo com levantamento das autoridades, o BRB recebeu ilegalmente R$ 8,9 milhões apenas para autenticar e processar os descontos encaminhados pelo PicPay na folha de pagamento do GDF.
O MPDFT cumpriu 50 mandados de busca e apreensão em Curitiba, São Paulo e Brasília, mas não houve prisões. Como medida cautelar, cerca de R$ 90 milhões das contas da PicPay e da Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal (ASDF) foram bloqueados para garantir o ressarcimento dos servidores lesados.

