A regra dos 4% de retirada de portfólio, padrão no planejamento de aposentadoria há três décadas, pode ser excessivamente conservadora. O modelo ignora o benefício do Social Security e a capacidade de aposentados ajustarem gastos em anos ruins, o que pode limitar o padrão de vida.
A regra tradicional sugere retirar 4% do patrimônio no primeiro ano, com ajustes anuais pela inflação, visando uma duração de 30 anos. Contudo, o cálculo original foi feito para resistir ao pior cenário de retornos de mercado, um evento que a maioria dos aposentados não enfrenta. Esse conservadorismo pode forçar aposentados a adiar viagens ou reduzir o estilo de vida, mantendo ativos sem uso.
O estudo original não considerava o Social Security, nem a redução de gastos com o avanço da idade. Um consultor apontou que a faixa de opiniões credíveis varia de 3% a 8%, dependendo da estratégia. Um aposentado com 1 milhão de dólares pode retirar entre 5% e 6% ao combinar o benefício governamental com uma estratégia de proteção contra inflação após quedas de mercado.
Três fatores favorecem o aposentado e são ignorados pelo modelo acadêmico. O Social Security, que totalizou 1,63 trilhão de dólares no primeiro trimestre de 2026, substitui de 30% a 40% da renda pré-aposentadoria. Além disso, os gastos reais dos aposentados tendem a diminuir anualmente, e a disponibilidade de títulos de dívida de longo prazo permite cobrir a retirada sem depender totalmente do capital.

