O mercado de crédito privado brasileiro apresenta maior risco que em anos anteriores, mas um gestor da XP Asset Management afirma que há oportunidades nesse cenário. Marcelo Urbano Dias disse que a cautela na seleção de ativos e a diversificação de carteiras são essenciais para navegar nesse ambiente.
Urbano Dias explicou que o aumento da frequência de problemas de crédito decorre do crescimento do volume de operações após um período de juros baixos. Ele declarou que não vê uma questão sistêmica nos portfólios, mas comparou a gestão de risco a um trilheiro experiente que sabe se proteger em rotas difíceis.
Para mitigar riscos, o gestor enfatiza o cuidado na entrada das operações, pois o erro inicial é o mais difícil de corrigir. Ele também alertou sobre o crescimento acelerado dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs). O setor deve fechar o ano com cerca de R$ 100 bilhões em emissões, mas carece de maturidade para avaliação adequada.
Segundo o especialista, avaliar um FIDC corretamente exige olhar o fluxo de caixa real e o critério de seleção do originador dos créditos. Ele ressaltou que a valorização da cota subordinada não informa a qualidade da carteira. Além disso, fundos com prazos curtos podem gerar falsa sensação de segurança, pois um erro em um único mês pode comprometer todo o fundo.

