A artista Helen Cammock retirou sua videoinstalação ‘Persistência’ da National Portrait Gallery, em Londres, após historiadores e membros da Câmara dos Lordes criticarem a obra por acusar Winston Churchill de causar fome na Índia colonial. O vídeo, que ficou exposto por quase um ano, gerou debate sobre o legado do ex-primeiro-ministro.
No vídeo de 38 minutos, Cammock compara Churchill a Oliver Cromwell e afirma que ele ‘matou pessoas de fome em massa, de forma semelhante à fome deliberada que Winston Churchill causou à população indiana’. O historiador Andrew Roberts, biógrafo de Churchill, enviou ao museu uma carta aberta em 16 de junho, assinada por mais de 50 membros atuais e antigos da Câmara dos Lordes, incluindo o neto de Churchill, Nicholas Soames. A carta classifica o vídeo como ‘um discurso ideologicamente motivado’ e ‘historicamente absurdo’.
Em comunicado, o museu afirmou que a obra é ‘uma peça de reflexão concebida como uma narrativa em primeira pessoa’ e apresentada ‘como uma obra de arte, não um documentário’. A National Portrait Gallery disse respeitar a decisão de Cammock e as opiniões dos opositores. A artista, que ganhou o Prêmio Turner em 2019, escreveu que a obra ‘nos leva a refletir sobre quem é honrado e valorizado e quem não é’.
A fome de Bengala em 1943 matou cerca de 3 milhões de pessoas. O economista Amartya Sen argumenta que o aumento dos preços dos alimentos, causado pelos gastos britânicos na Segunda Guerra Mundial, levou à crise. Já a escritora Madhusree Mukerjee afirma que o governo britânico ignorou alertas e continuou exportando arroz. Por outro lado, historiadores como Roberts atribuem a fome a um tufão e à destruição de linhas de abastecimento.

