O cheiro do amendoim cozido toma conta das ruas do bairro Queimadinha em Feira de Santana (BA) nas primeiras horas da manhã, sinalizando a chegada do São João. A tradição, que vai além da culinária junina, sustenta dezenas de famílias e é passada de geração em geração, segundo relatos de comerciantes e da prefeitura.
Um dos comerciantes mais antigos, Adevaldo Moreira, conhecido como Vata do Amendoim, está há 46 anos no ramo. Ele aprendeu o ofício com a mãe e hoje trabalha com o filho e a esposa. “Isso veio da mãe. Foi ela quem me ensinou e já vem de geração”, disse à imprensa. A rotina começa entre 3h30 e 4h da manhã para preparar o produto, que abastece vendedores e clientes de outras regiões, como o Ceará.
No mês de junho, a produção aumenta com a compra de 10 a 15 sacos de amendoim para cozinhar, por conta das encomendas para o São João. O produto é vendido o ano inteiro, mas maio, junho e julho concentram os melhores resultados. No Caminho Rondônia, no mesmo bairro, pelo menos 20 famílias dependem da atividade.
A secretária municipal de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico (Settec), Márcia Ferreira, afirmou que a relação entre a Queimadinha e o amendoim é histórica. “A comercialização do amendoim é uma tradição nossa, independente do São João ou do São Pedro. É algo que acontece o ano inteiro”, disse. Ela destacou que a venda representa importante fonte de subsistência para muitas famílias.
Um galpão comunitário inaugurado pela prefeitura em 2007, com 35 bocas de cozimento, chegou a beneficiar cerca de 300 sacas de amendoim por dia e empregar mais de 60 famílias cadastradas. No entanto, a estrutura está desativada devido a atos de vandalismo, segundo a secretária. Ainda assim, o espaço é símbolo da importância econômica e cultural da atividade para o bairro.

