O iShares Bitcoin Trust (IBIT) acumula queda de 28% no ano, cotado perto de US$ 36, em seu primeiro mercado de baixa como fundo listado. O Bitcoin recuou de US$ 102 mil para US$ 64 mil no mesmo período. Segundo análises, os próximos 12 meses do ETF dependem de dois sinais: a decisão de juros do Federal Reserve em setembro e o fluxo de resgates diário do complexo de ETFs de bitcoin à vista.
IBIT é um veículo de exposição direta ao bitcoin, com US$ 62,7 bilhões em ativos sob gestão e mais de 800 mil BTC em carteira. Não há derivativos para amortecer quedas. O mercado de opções do fundo já tem mais de 7 milhões de contratos em aberto, tornando-o o proxy mais líquido para o sentimento global em relação ao bitcoin.
O fator macroeconômico mais relevante é a postura do Fed. Em maio, sinais hawkish levaram a saídas de mais de US$ 2 bilhões dos ETFs de bitcoin à vista nos EUA, com o IBIT registrando oito dias consecutivos de resgates e uma saída recorde de US$ 192 milhões em 26 de maio. Acompanhar a ferramenta FedWatch do CME, o gráfico de projeções trimestrais e o balanço do Fed é essencial: uma sinalização de corte em setembro seria o maior vento a favor; a manutenção do aperto, o cenário de baixa.
O segundo sinal é a concentração institucional dos detentores do IBIT. Em 27 de maio, um único investidor resgatou US$ 1,3 bilhão via dark pool, movimento interpretado como saída deliberada. O controlador do Texas também transferiu US$ 10 milhões de reserva estratégica para custódia direta. A MicroStrategy ultrapassou o IBIT como maior detentor individual de bitcoin. A métrica a monitorar são as criações e resgates diários divulgados pela BlackRock. Uma semana com resgates líquidos acima de US$ 1 bilhão, combinada com alargamento do bid-ask no mercado à vista, pode levar o IBIT de volta ao preço de lançamento, próximo de US$ 27.

