Mais de 40% das iniciativas de inteligência artificial agêntica serão canceladas até o fim de 2027, segundo estudo publicado pela imprensa. Os principais motivos são custos crescentes, retorno de negócio pouco claro e controles de risco insuficientes.
O levantamento aponta que a causa raramente está na tecnologia em si. Grande parte dos projetos ainda são experimentos movidos por entusiasmo, muitas vezes aplicados onde não havia necessidade. A prática de ‘agent washing’ — rebatizar de agente produtos já existentes, como assistentes e automações simples — é comum, e apenas cerca de 130 dos milhares de fornecedores oferecem capacidade real de agentes. O resultado são sistemas caros que entregam relatórios, mas mudam pouco a operação.
Diante desse diagnóstico, cresce a adoção de abordagens que partem da decisão de negócio. A empresa brasileira Guidance criou uma metodologia chamada Decision-Centric, que prioriza o retorno de curto prazo e a medição do impacto financeiro antes de escalar. A empresa já gerou mais de R$ 500 milhões em resultado financeiro para clientes. Para o CEO da Guidance, Geraldo Franciscani, ‘o projeto trava quando começa com foco na tecnologia, e não em qual decisão precisa ser otimizada e qual resultado financeiro esperado’.
A leitura está alinhada ao diagnóstico do estudo, que associa os cancelamentos à falta de valor de negócio claro, e não a limitações dos modelos. A expectativa é que, até 2028, cerca de 15% das decisões do dia a dia no trabalho sejam tomadas de forma autônoma por sistemas agênticos. Nesse cenário, a capacidade de ligar cada projeto a um resultado mensurável tende a separar as iniciativas bem-sucedidas das que serão abandonadas.

