A bolsa brasileira negocia a 8 vezes o lucro das empresas, ficando abaixo das 9 vezes da Argentina, segundo Frederico Sampaio, gestor de renda variável da Franklin Templeton Brasil. O gestor atribui o desconto a incertezas sobre a economia nacional e ao cenário externo.
Sampaio afirmou que a Argentina é a segunda mais barata entre as economias emergentes, ficando apenas atrás do Brasil, citando médias de 15 vezes o lucro em outras bolsas. Ele explicou que o principal fator do desconto é a falta de visibilidade sobre a economia brasileira nos próximos anos. As projeções das empresas já incorporam incertezas eleitorais e políticas econômicas, comprimindo o potencial de ganho em um ambiente de juros altos e baixo crescimento.
Outro elemento que aprofunda o desconto é a taxa de juros elevada, que direciona investidores locais, como fundos de pensão, para a renda fixa. O gestor comentou que a concentração global de crescimento no setor de tecnologia, com poucos representantes na bolsa brasileira, também influencia o mercado. Por isso, a Franklin Templeton prioriza empresas com previsibilidade de fluxo de caixa, como utilities de setores elétrico, rodoviário e saneamento, que projetam dividendos acima de 10% ao ano.
Sampaio concluiu que o cenário de baixa liquidez e preços comprimidos funciona como amplificador: qualquer melhora positiva pode gerar uma recuperação rápida e intensa no mercado.

