Um novo estudo realizado na Noruega aponta que pacientes submetidos à cirurgia bariátrica podem ter a absorção de álcool quase dobrada. A alteração cirúrgica remove um mecanismo de proteção natural do estômago, elevando o risco de problemas com substâncias a longo prazo.
O pesquisador Magnus Strømmen, do Centro de Pesquisa da Obesidade do Hospital St. Olavs, afirmou que os pacientes bariátricos apresentam um risco significativamente maior de desenvolver problemas com álcool. Em um estômago normal, uma enzima no revestimento metaboliza parte do álcool antes que ele chegue à corrente sanguínea. A cirurgia, contudo, priva o paciente desse mecanismo de proteção, permitindo que o que é ingerido passe mais rápido para o intestino delgado, principal local de absorção.
Os resultados, publicados no International Journal of Obesity, analisaram 33 adultos. Os participantes consumiram vodca misturada com suco de laranja antes e em momentos posteriores à operação. Os dados indicaram que o consumo de álcool quase dobra após tanto o bypass gástrico quanto a gastrectomia vertical. Além disso, os pacientes atingem a concentração sanguínea máxima em metade do tempo, e os efeitos são considerados duradouros.
O estudo comparativo revelou que aqueles que fizeram o bypass gástrico apresentaram um risco 69% maior de serem diagnosticados com problemas relacionados ao álcool em comparação com os submetidos à gastrectomia vertical. Strømmen recomendou que profissionais de saúde avaliem individualmente os pacientes, pois a obesidade apresenta diferentes perfis de saúde, e os fatores de risco para abuso de substâncias devem ser investigados antes da decisão cirúrgica.

