O Ministério da Saúde iniciou uma pesquisa no Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre, para avaliar o uso de medicamentos à base de semaglutida no tratamento da obesidade grave no Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo acompanhará 250 pacientes por dois anos, buscando dados sobre eficácia e impacto clínico.
O projeto visa entender como a medicação pode ser aplicada no SUS para pessoas com obesidade grave que aguardam cirurgia bariátrica. A dose prevista é de até 2,4 mg por semana, aplicada no período anterior ao procedimento. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o objetivo é mapear os efeitos e os impactos da substância no sistema de saúde.
O acompanhamento será multiprofissional e durará dois anos. Além das consultas, a equipe de pesquisa monitorará perda de peso, qualidade de vida e indicadores clínicos, como níveis de colesterol e glicose, conforme explicou Fernando Anschau, coordenador do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde do GHC. Os pesquisadores também observarão o uso da medicação em condições reais, incluindo armazenamento e descarte.
Os participantes foram selecionados por possuírem obesidade grave e comorbidades. O GHC informou que 91% dos pacientes com indicação para bariátrica no hospital têm obesidade mórbida. A expectativa do Ministério da Saúde é que os resultados subsidiem a discussão sobre a incorporação da semaglutida no SUS, o que poderia gerar redução de custos na rede pública.

