Um motorista de 39 anos, residente em Porto Alegre, foi o primeiro gaúcho a receber a aplicação de caneta emagrecedora fornecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) nesta sexta-feira (26). O procedimento faz parte de um projeto-piloto federal em parceria com o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), que acompanha 250 pacientes.
O tratamento, que utiliza semaglutida como princípio ativo, foi realizado em cerimônia com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, no Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Conceição. Os participantes do estudo possuem comorbidades associadas à obesidade mórbida e serão monitorados por 24 meses para avaliar a perda de peso.
O objetivo do estudo é coletar dados clínicos e financeiros para determinar a possibilidade de o medicamento ser incorporado à rede pública, visto que atualmente ele é vendido apenas em estabelecimentos particulares. O ministro Padilha afirmou que o Brasil se torna pioneiro no uso da caneta emagrecedora em sistema público universal, o que pode reduzir a necessidade de cirurgia bariátrica.
A iniciativa ocorre em um contexto de aumento da obesidade no país. Dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, indicam que o contingente de brasileiros com sobrepeso e obesidade mais que duplicou desde 2024, atingindo 25,7% da população.
O diretor-presidente do GHC, Gilberto Barichello, comentou que o Rio Grande do Sul apresenta um dos maiores índices de sobrepeso e obesidade do país. Um pesquisador do projeto, Fernando Anschau, explicou que o grupo de pacientes, que busca uma “ponte para a cirurgia bariátrica”, possui 91% com obesidade mórbida, sendo o trabalho bancado pela Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Faurgs).

