A Apple anunciou o aumento de preços em média de 20% em produtos como Macs, iPads e Vision Pro. A medida gerou forte reação no mercado financeiro, com quedas em índices globais. O movimento sinaliza que a empresa está repassando custos crescentes de componentes aos consumidores.
A empresa raramente eleva seus preços, uma prática que era considerada um pressuposto no mercado financeiro há cerca de duas décadas. Historicamente, a Apple absorvia custos de componentes, otimizava fornecedores e mantinha suas margens sem repassar o valor ao cliente. Quando a companhia confirmou o reajuste, os mercados reagiram de forma acentuada, com o KOSPI caindo até 9% em um dia e futuros do Nasdaq registrando queda de 1,2%.
O analista Neil Campling comentou que o aumento de 20% é significativo, pois a empresa não precisou elevar preços para refletir escassez de componentes mesmo durante a pandemia de COVID-19. A decisão levanta dúvidas sobre se os grandes clientes de tecnologia aceitarão os custos mais altos de chips ou se haverá início de uma destruição de demanda no setor de semicondutores.
A situação é reforçada pelo setor de memória. A Micron Technology reportou receita de US$ 41,46 bilhões no terceiro trimestre do ano fiscal 2026, um crescimento de 345,7% ano a ano. Este dado corrobora a teoria de Campling sobre o aumento dos custos de componentes, que quadruplicaram em um ano. O aumento de preços da Apple coloca em xeque o ciclo de gastos em infraestrutura de inteligência artificial.

