Pesquisadores da USP desenvolveram um jogo interativo com captação de movimento para auxiliar no diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA). O estudo, realizado com 76 participantes, concluiu que o jogo é eficaz ao mensurar padrões sensório-motores, oferecendo dados objetivos para complementar avaliações clínicas subjetivas.
O diagnóstico de TEA tradicionalmente se baseia em observação direta, entrevistas com familiares e testes neuropsicológicos, processos que podem apresentar subjetividade. Buscando maior precisão, especialistas avaliaram o uso de jogos sérios, tecnologias projetadas para educar ou reabilitar, na análise comportamental.
A pesquisa, conduzida por Fernanda Orosco Guilherme com orientação de Jorge Alberto de Oliveira, utilizou o jogo Bubbles, onde os participantes interceptam bolhas na tela. O estudo comparou 38 pessoas com TEA e 38 pessoas com desenvolvimento típico. Os indicadores analisados incluíram tempo de acerto, distância percorrida e porcentagem de acertos.
Os resultados demonstraram que o grupo com autismo apresentou respostas significativamente mais lentas em todos os momentos da tarefa, além de menor precisão de acertos e menor eficiência do trajeto motor. O tempo de resposta foi o indicador mais expressivo, evidenciando o potencial da ferramenta.
A pesquisadora afirmou que, além da precisão diagnóstica, a tecnologia oferece baixo custo e alta atratividade. Ela completou que “no futuro, esperamos que os jogos sérios se tornem uma ferramenta cada vez mais acessível e amplamente utilizada nos serviços de saúde pública”.

