A China estabeleceu contatos significativos com a África em dois períodos distintos, um no século XV e outro no século XX. O retorno chinês, após a independência dos países africanos, foi motivado pela crescente demanda por riquezas minerais para seu modelo de crescimento econômico.
No início do século XV, a cidade-Estado de Malindi, na costa oriental africana, foi palco de encontros com frotas chinesas. Quase cem anos depois, com a chegada de Vasco da Gama em 1498, a região se conectou ao universo europeu. Após a expulsão das forças coloniais em Angola e Moçambique na metade dos anos 1970, a China retornou ao continente menos de duas décadas depois, sob a era de Deng Xiaoping.
O crescimento econômico asiático impôs uma alta demanda por minérios e petróleo. David van Reybrouck afirma que, em 1993, a China “pela primeira vez importava mais petróleo que exportava”. A República Democrática do Congo, segundo o autor, era um “escândalo geológico” devido à sua riqueza mineral.
Em 2007, um acordo de grande impacto foi firmado com o governo congolês. A empresa chinesa, detentora de 78% do capital, investiria 3 bilhões de dólares na reestruturação de mineração e 6 bilhões de dólares em obras de infraestrutura, como estradas e hospitais, em troca da extração de 10 milhões de toneladas de cobre e 600 mil de cobalto.

